Rei das fake news: Trump diz que "Bolsonaro Jr foi preso por ir bem nas pesquisas"

Por História de Henrique Rodrigues
4 Min
Rei das fake news: Trump diz que "Bolsonaro Jr foi preso por ir bem nas pesquisas"
Rei das fake news: Trump diz que “Bolsonaro Jr foi preso por ir bem nas pesquisas”

No ambiente da cúpula do G7, em Evian, na França, o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou mais uma vez por que ostenta a fama de ser o maior propagador de desinformação do planeta. Sem qualquer constrangimento ou compromisso com a realidade, o líder norte-americano disparou uma sequência de mentiras grotescas sobre o cenário político brasileiro nesta quarta-feira (17), misturando ignorância geográfica com a velha tática de inventar teorias conspiratórias para inflamar suas bases.

Questionado por jornalistas durante uma coletiva de imprensa se havia conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o novo tarifaço imposto contra o Brasil e a designação das facções PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas, Trump confirmou apenas o encontro: “Sim, eu passei bastante tempo com ele, na verdade”, disse, sem dar detalhes.

Logo em seguida, iniciou seus ataques ao Brasil, afirmando que o país “tornou-se um pouco complicado, não é? Politicamente. Tem sido um pouco perigoso politicamente”. Mas o pior e mais irresponsável ainda estava por vir.

Uma mentira sem uma única linha de verdade

Ao tentar comentar o processo eleitoral brasileiro, Trump engatou uma fake news absurda, na qual não se sabe se a má-fé operou sozinha ou se veio acompanhada de uma profunda confusão mental ao misturar nomes, funções e a própria situação jurídica dos filhos do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro.

“Tem sido desagradável. Ouvi dizer que prenderam alguém que está concorrendo a um cargo hoje. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr. Ele estava indo bem nas pesquisas, e o prenderam porque ele deu uma declaração no Texas. Prenderam ele, ou querem prender ele”, disparou o presidente norte-americano.

A declaração de Trump é um monumento à mentira. Para começo de conversa, não existe nenhum “Bolsonaro Jr.” no tabuleiro político principal. Ninguém foi preso, e a pessoa à qual ele presumivelmente tentou se referir sequer é candidata.

O pano de fundo real para a “confusão” de Trump foi a decisão da véspera, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o deputado cassado Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de reclusão por tentar intimidar a Corte na trama golpista. Contudo, Eduardo não foi preso, ele vive nos EUA e o processo não transitou em julgado, logo, não há mandado de prisão. Além disso, Eduardo não é candidato à Presidência; o pré-candidato da família é seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro, que não responde a este processo e, ao contrário do que Trump inventou sobre “ir bem”, aparece atrás em todas as pesquisas de intenção de voto.

Demonstrando o habitual descolamento da realidade, Trump usou a mentira plantada sobre o Brasil para justificar sua própria retórica doméstica. “Eles [Brasil] jogam duro, mas ninguém joga mais duro do que os Estados Unidos. Nossas eleições são totalmente roubadas”, emendou.

Lula reage: “Sabe pouco sobre o Brasil”

A reação do governo brasileiro veio logo em seguida. Também em coletiva de imprensa em Evian, o presidente Lula rebateu as declarações do homólogo norte-americano com firmeza e ironia. Lula afirmou que Trump “sabe pouco sobre o Brasil”, e menos ainda se insistir em enxergar o país sob a ótica distorcida da família Bolsonaro. O líder brasileiro acrescentou que espera que os EUA não interfiram nas eleições do país.

Lula explicou ainda que “não tem razões” para buscar uma reunião bilateral com Trump neste momento, uma vez que as chancelarias e equipes técnicas dos dois países já estão com negociações em andamento.

O episódio em Evian expõe o método Trump em sua forma mais pura: a transformação de boatos distorcidos de redes sociais em declarações oficiais de Estado, subvertendo fatos jurídicos de um país soberano para alimentar uma narrativa global de perseguição política que só existe em seu próprio universo paralelo.


FONTE: https://www.msn.com
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