Federação PP, de Ciro Nogueira, e União, de Rueda, sinaliza desembarque da candidatura Flávio Bolsonaro
Federação PP, de Ciro Nogueira, e União, de Rueda, sinaliza desembarque da candidatura Flávio Bolsonaro
A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, partidos comandados por Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, considera improvável apoiar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial de 2026 após o avanço do caso Dark Horse, que expôs a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A tendência no bloco é adotar neutralidade na disputa, em meio ao desgaste provocado pela revelação de uma negociação de R$ 134 milhões para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo. Segundo a coluna, dirigentes da federação avaliam que o apoio formal a Flávio Bolsonaro ficou mais difícil depois da crise envolvendo Vorcaro. Antes do caso ganhar tração, União Brasil e PP discutiam nomes para a vice na chapa bolsonarista.
O movimento é um revés para Flávio Bolsonaro. O senador tenta se consolidar como nome do bolsonarismo para enfrentar Lula em 2026, mas passou a carregar o desgaste político de uma negociação milionária com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Federação União Progressista avalia neutralidade em 2026
A Federação União Progressista foi aprovada pelo TSE em março de 2026 e reúne duas das principais forças do Centrão. O bloco terá peso direto na montagem de palanques estaduais, na disputa pelo Congresso e na negociação de alianças nacionais.
De acordo com o calendário do TSE, partidos e federações poderão realizar convenções entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026 para escolher candidaturas e deliberar sobre coligações. Até lá, a federação deve medir o custo eleitoral de uma aliança com Flávio.
Além do desgaste do senador, pesa contra o apoio a força de Lula no Norte e no Nordeste. A avaliação é que uma coligação nacional com Flávio Bolsonaro poderia contaminar candidaturas de União Brasil e PP em estados onde o presidente mantém vantagem eleitoral.
Caso Dark Horse isola Flávio Bolsonaro
O caso Dark Horse virou um problema central para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Reportagem do The Intercept Brasil revelou mensagens, documentos e áudios que indicam tratativas entre o senador e Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia internacional de Jair Bolsonaro.
Segundo a apuração, a negociação envolvia US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Flávio havia negado ligação com Vorcaro antes da revelação dos registros. Depois, admitiu contato com o banqueiro, mas negou irregularidades.
A crise também atingiu a relação de Flávio com setores empresariais e políticos. A Fórum mostrou que um banqueiro evitou receber Flávio Bolsonaro após vir à tona áudio sobre Vorcaro e o Banco Master.
União Brasil e PP discutiam vice para Flávio
Antes da crise do Dark Horse, União Brasil e PP discutiam uma possível composição com Flávio Bolsonaro. Entre os nomes citados pela coluna Painel estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
A mudança de cenário revela o impacto do caso Vorcaro sobre a pré-campanha. Sem o apoio da Federação União Progressista, Flávio Bolsonaro ficaria mais dependente do PL e de partidos dispostos a assumir o custo político de uma aliança nacional com o clã Bolsonaro.
A candidatura do senador já enfrentava sinais de dificuldade antes da crise mais recente. A Fórum mostrou que Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro em pesquisas nacionais para 2026.
Banco Master amplia desgaste político
Daniel Vorcaro é controlador do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial. O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master S.A. e do Banco Master de Investimento S.A. em novembro de 2025.
A ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro tornou-se ainda mais sensível porque o banqueiro passou a ser associado ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A Fórum também mostrou que a produtora de Dark Horse desmentiu Flávio Bolsonaro e negou ter recebido dinheiro de Vorcaro.
Nos bastidores, a Federação União Progressista agora tenta evitar que a crise do senador contamine seus projetos estaduais. A neutralidade passou a ser vista como saída para preservar palanques, manter canais com diferentes campos políticos e reduzir o risco de associação direta ao escândalo do Banco Master.