No momento em que o clã Bolsonaro enfrenta o que muitos analistas já consideram o “beijo da morte” político, o ex-vereador Carlos Bolsonaro, o Carluxo, decidiu acionar a engrenagem de desinformação que o tornou célebre à frente do “gabinete do ódio”. Conhecido por seu comportamento errático, descompensado e por ser o principal expoente das teorias conspiratórias da “seita ideológica”, o filho Zero Dois do ex-presidente Jair Bolsonaro utilizou suas redes sociais para dar sobrevida a uma fake news descabida e já amplamente desmentida, originalmente publicada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Reuniões com lula, mesada para parlamentares atenderem interesses políticos, dinheiro para ministros de lula, petistas não assinaram CPI do Master, patrocínio de piloto de fórmula 1, patrocínio de time de futebol (Flamengo), patrocínio de equipe de fórmula 1, pai do Vorcaro… pic.twitter.com/Dpk5xIXIgX
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) May 14, 2026
A estratégia é nítida: fabricar um escândalo artificial para estancar a hemorragia causada pelas revelações devastadoras que atingem seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro. Carluxo replicou um print sugerindo que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estaria financiando uma cinebiografia do presidente Lula. No entanto, o fato é inexistente. Como bem demonstrou o editor-chefe da Fórum, Renato Rovai, a “notícia” de Jardim foi uma peça de ficção política desenhada para oferecer um alento à base bolsonarista e criar uma cortina de fumaça sobre crimes reais.
O abismo de R$ 61 milhões e o fim da linha para Flávio
A urgência de Carluxo em mentir se justifica pelo tamanho do desastre que abateu a família. Flávio Bolsonaro foi flagrado em áudios explícitos e comprometedores, nos quais solicitava a vultosa quantia de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro. As investigações apontam que, desse montante, R$ 61 milhões foram efetivamente entregues, configurando um dos maiores escândalos de corrupção da história da política brasileira, dada a proximidade direta entre o legislador e o operador financeiro criminoso.
O impacto desse vazamento foi nuclear. Nos corredores do Congresso Nacional e entre os próprios aliados da direita, a sensação é de que a carreira política e qualquer pretensão eleitoral futura de Flávio Bolsonaro foram encerradas. Diante de provas tão contundentes, a desfaçatez de Carlos Bolsonaro ao tentar inverter o jogo é considerada por analistas como um ato de desespero. É a cara de pau levada ao extremo: enquanto a conta bancária e as relações de sua própria família são expostas como um balcão de negócios escusos, ele tenta apontar o dedo para Lula e o PT com base em uma mentira fabricada, acusando os adversários exatamente daquilo que eles foram flagrados fazendo.
A armadilha da “equivalência” denunciada pela Fórum
Ao analisar o papel de Lauro Jardim nesse episódio, Renato Rovai foi preciso ao apontar que o colunista agiu para conferir uma falsa sensação de “equivalência” ética ao público. No jornalismo de conveniência, tenta-se criar a narrativa de que “todos são iguais”. Contudo, Rovai deixou claro que o artigo de Jardim foi uma manobra para salvar a narrativa bolsonarista: tentou-se comparar um crime financeiro comprovado de R$ 61 milhões com uma suposta produção cinematográfica que sequer existe e com a qual o atual governo não tem qualquer relação.
Em sua postagem, Carluxo disparou contra a “isentosfera” e misturou uma salada de temas, citando desde patrocínios ao Flamengo e à Fórmula 1 até a ausência de assinaturas do PT em CPIs, tudo para tentar validar a mentira de Lauro Jardim. “Previsível com muita prudência e sofisticada”, ironizou o ex-vereador amalucado, tentando posar de vítima de uma conspiração midiática.
A realidade, porém, é muito menos “sofisticada” e muito mais brutal: o bolsonarismo está acuado por evidências físicas de corrupção sistêmica. Sem argumentos jurídicos e com a reputação de Flávio em frangalhos, resta a Carlos Bolsonaro o papel de sempre, o de incendiário digital que tenta queimar a verdade para que as chamas escondam os crimes de sua própria família. A tentativa de criar um “Lulagate” a partir do caso Vorcaro é apenas mais uma peça de ficção produzida pelo gabinete que se recusa a aceitar que o cerco, desta vez, se fechou.