(VÍDEO) - "FALTA DE CARÁTER" - Essa é a credencial para o Senado ou para o Governo, senhor JHC?
“Tenha vergonha e mostre a verdade”
Rede social / Montagem
Enquanto bajuladores de plantão e especialistas em tirar leite de vaca desenhada na parede sonham em ver o nome do ex-prefeito JHC estampado em outdoors e plataformas digitais como candidato ao Governo de Alagoas, os observadores mais atentos da política preferem recorrer à velha e sábia frase do livro de Eclesiastes: “há tempo para tudo”.
E, neste caso, parece haver tempo até demais para decidir o destino político.
Entre discursos ensaiados, aparições calculadas e silêncios estratégicos, o próprio JHC surge como o personagem central de um enredo que ainda não revelou seu capítulo principal: disputar o Governo ou buscar uma vaga no Senado?
Nos bastidores, a dúvida não é apenas eleitoral — é estratégica. E, convenhamos, diante da atual conjuntura política, o Senado soa como um porto mais seguro do que o mar revolto do Executivo estadual.
Há quem diga que a prudência é virtude. Outros preferem chamar de cálculo político.
Mas há também quem enxergue uma tentativa de evitar tempestades que ainda não vieram totalmente à tona.
O jogo já começou.
Sim. Começou! e sem o escudo do mandato municipal, a exposição pública tende a aumentar, e episódios que antes passavam despercebidos começam a ganhar holofotes. Um desses casos envolve a aparição do então prefeito em um terreno baldio no bairro do Benedito Bentes anunciando a construção de 736 moradias populares (apartamentos) — informação posteriormente contestada pelo MTST-AL.
Em vídeo que circula nas redes sociais, o movimento afirma que a articulação para a construção de 736 unidades habitacionais teria sido conduzida por lideranças sociais, governos estadual e federal enquanto a gestão municipal teria tão somente dificultado o andamento do projeto por meio da demora na liberação de licenças.
Veja:
Ver essa foto no InstagramUm post compartilhado por Folha de Alagoas (@folhadealagoas)
Segundo a narrativa apresentada no material, o gestor que agora aparece como possível pré-candidato, sob o eco da cobrança “tenha vergonha e mostre a verdade”, teria surgido apenas na fase final do processo, acompanhado de aliados políticos, em um movimento interpretado por críticos como tentativa de capitalizar politicamente um tema sensível como moradia popular e o programa Minha Casa, Minha Vida.
Sem entrar no mérito técnico das acusações, o episódio reforça um ponto evidente: em ano pré-eleitoral, cada gesto vira símbolo, cada fala vira discurso e cada silêncio vira estratégia.
E é justamente aí que a indecisão entre Governo e Senado ganha contornos mais claros.
Governar Alagoas exige mais do que carisma, marketing e articulação política — exige estrutura moral, firmeza administrativa e capacidade de enfrentar crises sem recorrer a narrativas convenientes.
O Estado é maior que qualquer projeto pessoal.
Alagoas é maior que qualquer nome.
E a cadeira do Governo não é um trampolim, é um teste de resistência.
Talvez por isso o Senado pareça mais confortável.
Menos desgaste direto, mais espaço político, mais blindagem institucional e, sobretudo, menos exposição às feridas administrativas que inevitavelmente sangram durante campanhas majoritárias.
Não é fuga — dizem os aliados.
Não é recuo — afirmam os estrategistas.
É “tempo para tudo”.
E o tempo, como sempre, revela o que os discursos tentam esconder.
Até outubro, muitas narrativas ainda devem surgir, muitas versões serão confrontadas e, possivelmente, segredos que hoje circulam apenas nos bastidores podem ganhar a luz da arena pública.
Quem pretende percorrer os 102 municípios de Alagoas carregando a bandeira da confiança popular precisará, antes de tudo, demonstrar coerência entre discurso e prática.
Porque Alagoas não é pequena.
É grande em história, em desafios, em contradições e em expectativas.
E diante dessa grandeza, todo postulante se torna pequeno se não estiver à altura da responsabilidade.
No fim das contas, resta acompanhar o malabarismo dos pré-candidatos ao Senado e ao Governo, enquanto o tempo — sempre ele — decide o rumo dos projetos políticos.
E, caso o destino mude no meio do caminho, ficam desde já as desculpas antecipadas.
Afinal, na política brasileira, o amanhã sempre pode ser reescrito antes mesmo de amanhecer.
Agora, resta apenas aguardar o desfecho desse enredo que mistura vaidade, estratégia, silêncio e conveniência.
Porque, no grande quebra de braços da decisão final, uma pergunta paira no ar com a leve ironia que a política alagoana merece:
quem acertará a escolha — os xeleléus de plantão ou a capacidade intuitiva da sobrevivência política?
O tempo, como sempre, dará a resposta.
Por: Redação / deolhoalagoas.com.br