Ninguém está acima da lei: deputado italiano que localizou Zambelli reage à extradição

Por História de Ivan Longo
4 Min

“Ninguém está acima da lei”: deputado italiano que localizou Zambelli reage à extradição

O deputado italiano Angelo Bonelli, responsável por localizar Carla Zambelli na Itália quando ela estava foragida, afirmou que a decisão da Justiça italiana de autorizar a extradição da ex-deputada  reforça que “ninguém está acima da lei”.

“Respeito a decisão do tribunal italiano que aceitou o pedido de extradição de Carla Zambelli feito pelo governo brasileiro. Minha ação foi guiada por um forte senso cívico, porque ninguém está acima da lei. Carla Zambelli declarou que, como italiana, era intocável, mas na Itália ninguém é intocável se cometeu crimes”, disse Bonelli em declaração exclusiva à Fórum.

O parlamentar, que integra o partido Europa Verde, também alertou que o processo ainda não está encerrado e destacou o papel decisivo do governo italiano na etapa final.

“Agora veremos o que o Supremo Tribunal de Cassação decide e, caso a decisão de extradição do Tribunal de Apelações de Roma seja mantida, o ministro da Justiça do governo Meloni decidirá se Carla Zambelli será extraditada. Como membro do Parlamento italiano, preciso controlar que o ministro não invoque considerações políticas em um caso que envolve crimes graves.”

Justiça italiana autoriza extradição de Zambelli

A Justiça italiana decidiu, nesta quinta-feira (26), autorizar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Roma, em resposta a um pedido formal do governo brasileiro.

Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dois processos, Zambelli está presa na Itália desde 29 de julho de 2025, após ser capturada em Roma. Ela havia fugido do Brasil semanas antes, após ter a prisão decretada pela Corte.

Apesar da decisão favorável, a extradição ainda não é definitiva. A defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação, a mais alta instância do Judiciário italiano.

Próximos passos: decisão final cabe ao governo Meloni

Caso a decisão judicial seja mantida, o processo seguirá para o Ministério da Justiça da Itália. Caberá ao ministro Carlo Nordio dar a palavra final sobre a extradição, conforme prevê o artigo 708 do Código de Processo Penal italiano.

O ministro terá até 45 dias para se manifestar após o encerramento da fase judicial. Se não houver decisão nesse prazo, a prisão pode ser revogada.

Se a extradição for confirmada, o governo italiano deverá comunicar ao Brasil a data da entrega. A transferência deve ocorrer em até 15 dias, podendo ser prorrogada por mais 20. Caso o Brasil não assuma a custódia no período, a ordem perde validade.

Bonelli foi peça-chave na prisão

A prisão de Zambelli só foi possível graças à atuação direta de Angelo Bonelli.MO deputado italiano localizou o endereço onde a ex-parlamentar estava escondida em Roma e acionou a polícia.

“Liguei para a Polícia Nacional para informar o endereço. Duas horas e meia depois, confirmaram que ela estava no apartamento e aplicaram o pedido da Interpol”, relatou à época.

A captura foi realizada em operação conjunta da Polícia Federal brasileira, da Interpol e das autoridades italianas.

Fuga e condenações no STF

Zambelli deixou o Brasil no fim de maio de 2025, atravessando a fronteira com a Argentina antes de seguir para os Estados Unidos e, posteriormente, para a Itália, onde entrou com passaporte italiano.

Ela acumula duas condenações no Supremo Tribunal Federal (STF). A principal prevê pena de 10 anos e 8 meses de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em ação que contou com a participação do hacker Walter Delgatti Neto.

A segunda condenação, de 5 anos e 3 meses, é por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, após perseguir armada um jornalista nas ruas de São Paulo durante o segundo turno das eleições de 2022.

FONTE: https://www.msn.com