Retaliação do Irã em Ormuz faz EUA retirarem sanções do petróleo russo

Alta do petróleo diante do fechamento parcial do Estreito de Ormuz leva EUA a recuar e retirar sanções sobre parte do petróleo russo pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia

Por Por: Ivan Longo-
4 Min
Retaliação do Irã em Ormuz faz EUA retirarem sanções do petróleo russo
- Instalação de petrolífera russa (Foto: NATALIA KOLESNIKOVA / AFP)

Os Estados Unidos passaram a permitir temporariamente a venda de petróleo russo que já se encontra em navios no mar, informou o Departamento do Tesouro nesta quinta-feira (12), em meio à crise energética provocada pela escalada militar no Oriente Médio após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

Segundo o Tesouro, foi emitida uma licença que autoriza a venda de petróleo bruto russo e de produtos petrolíferos carregados em navios até 00h01 de 12 de março, com validade até 11 de abril. Na prática, a decisão representa um recuo parcial na política de sanções aplicada pelos EUA ao setor energético russo.

A medida ocorre em um momento de forte pressão sobre o mercado internacional de energia, após o conflito atingir o estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Os ataques conduzidos pelos EUA e Israel contra o território iraniano e as retaliações de Teerã na região do Golfo abalaram os setores globais de energia e transporte, praticamente interrompendo as atividades no estreito e provocando uma disparada nos preços do petróleo. Nesta semana, o barril chegou a quase 120 dólares, o valor mais alto desde a pandemia.

Diante do impacto sobre o abastecimento global, Washington também havia permitido na semana passada, de forma temporária, que petróleo russo que estava retido no mar fosse vendido à Índia.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a nova autorização busca “ampliar o alcance global da oferta existente” de petróleo bruto. Ele insistiu que se trata de uma “medida limitada e de curto prazo” e declarou que a decisão não proporcionaria “um benefício financeiro significativo ao governo russo, que obtém a maior parte de suas receitas energéticas a partir dos impostos aplicados no ponto de extração”.

A reação russa

Mesmo com a tentativa dos EUA de apresentar a medida como temporária, a flexibilização das sanções foi interpretada pela Rússia como um reconhecimento da importância de seu petróleo para a estabilidade do mercado global.

O enviado econômico da Rússia, Kirill Dmitriev, afirmou que é “cada vez mais inevitável” que os Estados Unidos acabem suspendendo outras sanções impostas ao setor energético russo.

“Os Estados Unidos estão, na prática, reconhecendo o óbvio: sem o petróleo russo, o mercado global de energia não pode permanecer estável”, escreveu Dmitriev no Telegram.

“Diante da crescente crise energética, um novo afrouxamento das restrições às fontes de energia russas parece cada vez mais inevitável, apesar da resistência de alguns dentro da burocracia de Bruxelas”, acrescentou.

A possibilidade de novos recuos por parte de Washington ocorre apesar da pressão de aliados ocidentais. Os EUA haviam imposto sanções ao petróleo russo após o início da guerra na Ucrânia, medida que parte dos países europeus deseja manter mesmo diante da crise energética atual.

O presidente da França, Emmanuel Macron, cujo país ocupa a presidência rotativa do Grupo dos Sete (G7), afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz “de forma alguma” justificaria o fim das sanções contra Moscou.

“O consenso foi de que não devemos mudar nossa posição sobre a Rússia e devemos manter nossos esforços em relação à Ucrânia”, disse Macron após uma videoconferência com líderes do G7 para discutir as consequências econômicas da guerra entre EUA, Israel e Irã.

Enquanto isso, a Rússia afirma que a crise atual evidencia a dependência do mercado internacional de energia em relação ao petróleo russo e reforça a pressão para que as sanções impostas pelos EUA sejam gradualmente flexibilizadas.

Dmitriev também afirmou ter participado recentemente de uma “reunião produtiva” com negociadores dos EUA na Flórida, nos primeiros contatos entre Moscou e Washington desde o início da guerra com o Irã.

*Com informações da AFP


FONTE: https://revistaforum.com.br
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