A divulgação de um vídeo do senador Wellington Fagundes (PL-MT) abriu mais um flanco de constrangimento no bolsonarismo. Segundo revelou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o parlamentar gravou uma mensagem relatando uma conversa com Jair Bolsonaro como se o encontro já tivesse ocorrido, embora a visita ao ex-presidente estivesse marcada apenas para este sábado (7), em Brasília.
Na gravação, que vazou nas redes sociais na sexta-feira (6), Fagundes afirma: “No sábado, estive pessoalmente com o presidente Bolsonaro e levei o abraço dos mato-grossenses. A confirmação é clara: nossos pré-candidatos do PL são Flávio Bolsonaro presidente, Wellington Fagundes governador”. O ponto que chamou atenção é justamente a antecipação do fato: a fala descreve como concluída uma conversa que ainda seria realizada.
A pressa do Wellington Fagundes
O senador pretendia visitar Bolsonaro na prisão para pedir o aval do ex-presidente à sua candidatura ao governo de Mato Grosso. O episódio expõe não só a pressa de aliados em tentar vender como fechada uma decisão política do clã Bolsonaro, mas também a tentativa de colar a disputa regional do PL em Mato Grosso ao projeto nacional de Flávio Bolsonaro para 2026.
O constrangimento ocorre num momento em que Bolsonaro segue preso em Brasília, na chamada Papudinha, e mantém uma rotina de visitas autorizadas por Alexandre de Moraes. No fim de janeiro, Moraes liberou a entrada de aliados políticos no local, e o STF formou maioria nesta semana para manter o ex-presidente detido, rejeitando novo pedido de prisão domiciliar.
No caso de Mato Grosso, o vídeo também escancara a disputa interna do PL. Fagundes tenta se firmar como nome do partido ao Palácio Paiaguás, mas a direção nacional da legenda trabalha por uma aliança com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que deve assumir o comando do estado com a renúncia prevista de Mauro Mendes (União Brasil) e tende a disputar a reeleição. Nos últimos dias, Pivetta chegou a negar que houvesse, naquele momento, uma aliança fechada com o PL.
A antecipação do discurso de Fagundes também reforça o ambiente de campanha informal que já cerca Flávio Bolsonaro. Como a própria Fórum mostrou ao noticiar a manobra para que Flávio virasse advogado do pai e pudesse visitá-lo diariamente, a prisão de Jair Bolsonaro passou a ser usada pelo entorno como ativo político. Em outra frente, o senador já foi alvo de questionamentos no TSE por suposta campanha fora de hora, tema abordado pela revista em reportagem sobre a ação por propaganda eleitoral antecipada e também na análise segundo a qual Flávio pode ser enquadrado por propaganda antecipada.
O episódio de agora sugere que, antes mesmo de obter uma palavra final de Bolsonaro, aliados já se movimentam para transformar desejos políticos em peça de propaganda. E faz isso num contexto em que o PL ainda não resolveu integralmente seus conflitos estaduais, nem dissipou as dúvidas sobre a legalidade de atos que vêm funcionando, na prática, como pré-campanha presidencial. Vazado o vexame; o vídeo, por si só, ajuda a entender o grau de ansiedade e medo do bolsonarismo para 2026