A família do enfermeiro de UTI estadunidense Alex Pretti, de 37 anos, assassinado por agentes federais em Minneapolis, nos Estados Unidos, neste sábado (24), divulgou um comunicado no qual denuncia as “mentiras repugnantes” que estariam sendo contadas pelo governo de Donald Trump sobre o episódio.
“As mentiras repugnantes contadas sobre nosso filho pelo governo são repreensíveis e nojentas. Alex claramente não estava armado quando foi atacado pelos capangas covardes e assassinos do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] de Trump. Ele estava com o celular na mão direita e a mão esquerda, vazia, erguida acima da cabeça enquanto tentava proteger a mulher que o ICE acabara de empurrar, tudo isso enquanto era atingido por spray de pimenta”, aponta o comunicado, assinado pelos pais de Alex, Michael e Susan. “Por favor, divulguem a verdade sobre nosso filho. Ele era um bom homem.”
Duas testemunhas do assassinato afirmaram, em depoimento juramentado , que Alex Pretti não estava portando nenhuma arma quando se aproximou dos agentes federais em Minneapolis.
Uma testemunha, que filmou o tiroteio bem atrás do enfermeiro, disse que agentes federais o abordaram depois que ele foi ajudar alguém que os próprios agentes haviam jogado no chão.
Quem investiga a morte de Alex Pretti?
O juiz distrital Eric Tostrud emitiu neste sábado uma ordem temporária impedindo que agências federais “destruam ou alterem provas relacionadas ao assassinato de Alex Pretti em Minneapolis”. A determinação inclui tudo o que foi removido do local onde o homicídio ocorreu.
Em paralelo, o governador de Minnesota, o democrata Tim Walz, prometeu que o “sistema de justiça do estado terá a palavra final” sobre o assassinato do enfermeiro, ecoando os apelos de ativistas por uma investigação local, e não apenas uma investigação federal, sobre o crime.
Embora as autoridades federais sejam responsáveis pela condução da política externa e pela regulamentação da imigração, a educação e o policiamento são responsabilidades das forças de segurança estaduais e locais. Assim, o tiroteio em Minnesota se enquadra em uma zona cinzenta, visto que agentes federais supostamente estavam aplicando a lei de imigração no que se tornou uma aparente operação policial para reprimir manifestantes.
Segundo o site Al Jazeera, defensores dos direitos humanos afirmam que o governo federal não deveria ter o poder de investigar o assassinato cometido por seus próprios agentes, ressaltando que uma investigação local seria mais independente.
Mas autoridades do governo Trump, incluindo o vice-presidente JD Vance, enfatizaram que os funcionários federais gozam de “imunidade absoluta” por atos cometidos no exercício de suas funções.
Segunda morte
A morte do enfermeiro ocorre semanas depois de um agente do (ICE) ter atirado e matado Renee Good, de 37 anos, dentro de seu carro na cidade de Pretti, no norte dos Estados Unidos. Também cidadã estadunidense, ela foi morta em 7 de janeiro por um agente federal de imigração em Minneapolis, o que gerou indignação em todo o país.
Na ocasião, como agora, A Casa Branca e o Departamento de Segurança Interna insistiram que Good seria uma “terrorista doméstica” que ameaçou com seu carro o agente do ICE, que teria sido forçado a atirar em “legítima defesa”.
Contudo, diversos vídeos do incidente mostram que ela estava se afastando do agente enquanto tentava fugir de carro, e pelo menos dois dos tiros foram disparados a partir da lateral do veículo. De acordo com o The Guardian, autoridades estaduais estão indignadas por terem sido excluídas da investigação do FBI e pelo fato de as autoridades federais estarem investigando a viúva de Good e líderes democratas em Minnesota , incluindo o governador Tim Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e não o policial que matou Renee Good, Jonathan Ross.