Agente da PF admite ter espionado delegado que investigava tentativa de golpe

Por História de Julinho Bittencourt-
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Agente da PF admite ter espionado delegado que investigava tentativa de golpe

A agente da Polícia Federal (PF), Letícia da Cunha Padilha, admitiu ter consultado, sem autorização, dados do delegado Fábio Shor, responsável por investigações sobre a tentativa de golpe bolsonarista. A confissão foi feita em dezembro, quando ela passou a se apresentar nas redes sociais como “descartada pelo sistema” e iniciou publicações com discurso alinhado à extrema direita.

Letícia e o marido, o também agente da PF André de Oliveira Valdez, deixaram o Brasil no fim de 2024 e se mudaram para Arlington, no Texas, onde vivem atualmente. O casal obteve licença não remunerada de três anos para tratar de assuntos pessoais e afirma sofrer risco de “retaliação política”, alegando buscar asilo nos Estados Unidos, segundo documentos obtidos pela reportagem.

O caso foi revelado pelo Intercept Brasil em julho do ano passado. Apesar do discurso de perseguição, nenhum dos dois era investigado nos inquéritos sobre a tentativa de golpe ou sobre a chamada Abin paralela, e ambos continuaram trabalhando na PF por quase dois anos durante o governo Lula.

Os dois atuavam na Diretoria de Inteligência Policial (DIP), setor sensível da corporação. Valdez é especialista em varreduras técnicas e chegou a atuar, em 2022, no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Padilha, por sua vez, é especialista em crimes cibernéticos e ocupava cargo estratégico na área de inteligência.

Em 12 de dezembro, a Corregedoria da PF instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Letícia, que foi afastada da corporação. Um mês antes, sua licença havia sido suspensa, e ela deveria ter retornado ao trabalho em novembro de 2025, o que não ocorreu.

Confissão em vídeo

Em vídeo publicado nas redes sociais, Padilha confirmou ter pesquisado o nome de Fábio Shor em um sistema interno da PF, mesmo estando afastada. A corporação afirma que servidores licenciados não devem ter acesso aos sistemas. A agente justificou a consulta alegando medo e preocupação com a segurança da família.

O nome de Shor já havia sido citado pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em uma transmissão ao vivo em julho do ano passado, em tom considerado intimidatório. À época, a direção da PF afirmou que o episódio seria apurado.

Documentos anexados a um processo judicial indicam que Valdez e Padilha alegam perseguição política e dificuldades financeiras nos EUA, onde estariam vivendo com visto de turista. As informações não são mencionadas nos vídeos publicados por Padilha, que afirma apenas que a mudança foi planejada.

A Polícia Federal informou que não se manifestará sobre o caso, que segue sob apuração administrativa.

FONTE: https://www.msn.com