E AGORA? - Do céu ao inferno: Castro desafiou Moraes e agora vive o medo da prisão

Primeiro Bacellar, agora o desembargador Macário Júdice. Parece que, em meio a tanta sujeira, ideia do governador de peitar o STF não foi boa. Abriu-se a contagem regressiva

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E AGORA? - Do céu ao inferno: Castro desafiou Moraes e agora vive o medo da prisão
Créditos: Fernando Frazão/Agência Brasil

A recente prisão do desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, na segunda etapa da Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal nesta terça-feira (16), lança luz sobre supostos vazamentos de dados confidenciais da Justiça. De acordo com investigações, o magistrado estaria envolvido em repassar detalhes de uma ação policial direcionada ao então deputado estadual TH Jóias, do MDB, acusado de ser um operador do Comando Vermelho. Fontes da PF indicam que Macário se encontrava ao lado de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, a Alerj, e atualmente licenciado, no instante em que foi feita a ligação para TH Jóias com o alerta sobre a iminente operação. O encontro ocorria em um restaurante, o que adiciona um tom quase cinematográfico a esses episódios de intriga política.

Até aqui, tudo dentro do esperado. O problema mesmo parece ser o que vem pela frente nesta empreitada supervisionada diretamente pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, conhecido por ser intrépido com a bandidagem.

Tudo isso se desenrola em um contexto maior, iniciado há menos de dois meses, quando o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL) decidiu impulsionar sua imagem para as eleições de 2026. Ele aprovou e determinou uma sangrenta megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que resultou num saldo trágico: 122 mortes, incluindo cinco policiais. Essa iniciativa, em vez de consolidar sua posição como líder “firme”, no melhor estilo bolsonarista, acabou por atrair o escrutínio do Supremo Tribunal Federal, transformando-o em alvo involuntário de uma investigação mais ampla.

Com a transição na relatoria da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, após o ministro Edson Fachin assumir a presidência do STF, o caso caiu nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, notório por sua abordagem rigorosa contra irregularidades e crime organizado. Moraes ordenou que a PF aprofundasse as apurações sobre os laços obscuros entre facções criminosas e figuras políticas fluminenses, o que tem gerado uma sequência de desdobramentos impactantes desde então.

Rodrigo Bacellar foi o pioneiro nessa cadeia de quedas impulsionada pelas decisões de Moraes. Agora, com a detenção de Macário Júdice, o cerco se aperta ainda mais em torno de Castro, cuja administração mantém vínculos estreitíssimos com a Alerj, não apenas no sentido institucional, mas sim no aspecto de enraizamento na estrutura política. O mais desesperador para os envolvidos é saber que tudo que vem ocorrendo se origina no aparelho celular de Bacellar, que guarda um oceano de informações que estão sendo a conta-gotas extraídas. Parece-me natural que os chefes do Executivo e do Legislativo do estado se falasse por essa via, não?

Fontes ouvidas pela Fórum asseguraram que pelo menos mais cinco deputados estaduais, que teriam colaborado com Bacellar em algum momento, estão na mira de mandados de prisão iminentes. Quem também resolveu tornar pública essa informação, corroborando-a, foi o ex-governador Anthony Garotinho. Ademais, Garotinho, que tem monitorado de perto os progressos da PF e compartilhado detalhes exclusivos sobre o processo, garantiu que um assessor da presidência da Alerj durante a gestão de Bacellar, chamado Rui Bulhões, também figura na lista de alvos potenciais.

O inquérito, que começou focado no Legislativo, avança inexoravelmente em direção ao Executivo, com o Palácio Guanabara no horizonte. Nesse ritmo, a possibilidade de Castro enfrentar uma prisão ou mesmo o afastamento do cargo ganha contornos reais e urgentes. O próprio Garotinho já expressou publicamente que o declínio de Castro, seja por detenção ou remoção, é algo que pode ocorrer a qualquer momento.

O que outrora foram dias de glória para Castro, capitalizando politicamente sobre o sangue que escorreu das favelas, agora se converte em uma fase de tensão palpável. Apreensivo com o avanço implacável das investigações sob Moraes, que não costuma dar trégua em casos de corrupção enraizada, o governador encara um futuro incerto, no qual o peso de suas decisões passadas selarão seu destino e futuro.


FONTE: https://revistaforum.com.br
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