(PRESSÃO CONTRA O ABSURDO) - Senado, em alerta com protestos, pode não votar PL da Dosimetria

Senadores, assustados com a repercussão nas redes e na imprensa do projeto para salvar Bolsonaro aprovado na Câmara, podem repetir recuo da PEC da Bandidagem. Entenda

Por Por Henrique Rodrigues-
3 Min
(PRESSÃO CONTRA O ABSURDO) - Senado, em alerta com protestos, pode não votar PL da Dosimetria
Créditos: Jefferson Rudy/Agência Senado

O receio de novas manifestações de rua com grande adesão e a explosão de críticas nas redes sociais estão deixando o Senado em estado de alerta apenas 48 horas após a aprovação do PL da Dosimetria, para aliviar a pena de Jair Bolsonaro (PL), na Câmara, em uma sessão que varou a madrugada de terça (9) e provocou revolta em boa parte da população.

Líderes partidários da Casa admitem abertamente o desconforto com a possibilidade de votar o texto antes do recesso parlamentar, apesar de o presidente do senador, Davi Alcolumbre (União-AP) ter reafirmado que honrará o acordo feito com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, de levar o projeto ao plenário na próxima semana. A hashtag “Congresso Inimigo do Povo” voltou a dominar as plataformas digitais, com ataques pesados vindos de todos os lados.

Nas últimas horas, a corrente favorável ao adiamento ganhou força inesperada, invertendo o cenário que predominava até recentemente, quando a maioria parecia querer encerrar logo a questão. As mobilizações marcadas para o domingo (14) ainda nem começaram, mas já provocam entre os senadores uma clara sensação de déjà-vu.

O PL da Dosimetria corre sério risco de repetir o mesmo destino da PEC da Bandidagem, foi o que fontes disseram à Fórum. Abandonada meses atrás no Senado, a Proposta de Emenda Constitucional que visava blindagem total a parlamentares e autoridades partidárias caiu exatamente por causa dos protestos que sacudiram o país e fizeram as ruas gritarem. O temor de um novo tuitaço em massa com o slogan “Congresso Inimigo do Povo” já faz parlamentares desistirem de qualquer iniciativa que possa ser interpretada como proteção ao criminoso Jair Bolsonaro.

Nesse quadro, o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), formalizou pedido para que o projeto não siga regime de urgência e passe obrigatoriamente pela comissão, alegando necessidade de análise mais cuidadosa, movimento visto como caminho quase certo para retardar a votação.

Diante das incertezas que tomam conta do Senado, o governo Lula prepara uma ofensiva nos próximos dias para reforçar sua posição contrária ao texto e ampliar assim a pressão sobre os parlamentares, aproveitando a reconhecida capacidade de mobilização da esquerda em praticamente todo o território nacional.


FONTE: https://revistaforum.com.br
Tags »
Notícias Relacionadas »