VÍDEO: bolsonarista Zé Trovão é humilhado ao tentar lacrar na CPMI do INSS
O deputado tentou tumultuar discussão na Comissão Parlamentar Mista e acabou levando um enquadro dos próprios colegas
VÍDEO: bolsonarista Zé Trovão é humilhado ao tentar lacrar na CPMI do INSS. Créditos: Reprodução de vídeo
Como de praxe, quando os parlamentares bolsonaristas sofrem derrotas, tentam tumultuar os trabalhos no Congresso Nacional, e não foi diferente na sessão dessa quinta-feira (4) da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A oposição, principalmente a bolsonarista, se enfureceu ao ser derrotada pela articulação do governo federal, que impediu que o Procurador-Geral da República (PGR), Jorge Messias, e o irmão do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", fossem convocados para depor na CPMI do INSS.
E quem tentou tumultuar os trabalhos da CPMI foi o deputado bolsonarista Zé Trovão (PL-SC), que tentou lacrar, mas acabou humilhado pelo deputado Alencar Santana (PT-SP).
"Ramagem está foragido, talvez tenha ido aos EUA encontrar o Bananinha (deputado Eduardo Bolsonaro)... O Ramagem sabe que o destino final dele é na cadeia, como está o Bolsonaro, como os seus filhos golpistas também irão e assim como outros." Neste momento, Zé Trovão tenta interromper a fala de Alencar Santana, que reage:
"Por favor, o comentarista de plantão fica na sua, papagaio de pirata, fique na sua. Se quiser, se inscreva e fale", disparou Alencar Santana, fazendo Zé Trovão passar vergonha na frente de todo mundo.
"Fica na sua, papagaio de pirata", diz deputado Alencar Santana do PT para Zé Trovão. Olho no lance. pic.twitter.com/J76KQ6gnGe
— GugaNoblat (@GugaNoblat) December 4, 2025
Governo derrota Centrão e bolsonaristas e derruba tentativa de convocar Lulinha na CPMI do INSS
A base governista derrotou o conluio entre parlamentares do Centrão e da base bolsonarista que buscavam convocar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, na CPMI do INSS. O requerimento foi rejeitado na sessão desta quinta-feira (4).
Em meio aos avanços das investigações da Polícia Federal (PF), que revelou elo entre facções criminosas com grupos políticos da direita - como o Comando Vermelho (CV) na prisão do deputado estadual bolsonarista Rodrigo Bacellar (União-RJ), presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) - a oposição, formada pela bancada bolsonarista e o Centrão, articulou a convocação do filho do presidente e do Advogado-geral da União (AGU) indicado para o Supremo Tribunal Federal (STF). O requerimento da convocação do AGU não foi votado até às 13h07 desta quinta-feira.
A inclusão do requerimento pedindo a convocação de Lulinha foi feito às pressas por Marcel Van Hattem (Novo-RS) e incluído na pauta nesta quinta-feira (4) pelo presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG), poucas horas após a divulgação de reportagem pelo site Poder360, às 7h.
A reportagem afirma que o filho do presidente teria recebido "uma cifra aproximada de 25 milhões (a CPMI não sabe em qual moeda) e pagamentos mensais de “cerca de R$ 300 mil” (que é tratado como “mesada”), sem especificar o período" de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nos meios políticos como Careca do INSS. Segundo o texto, a informação constaria em depoimento à PF de "Edson Claro, ex-funcionário do Careca do INSS e que se diz ameaçado pelo ex-patrão".
"Se trata de um factóide, baseado num depoimento de um desafeto desse careca do INSS, sem nenhuma prova, sem nenhuma consistência, sobre temas que não têm absolutamente nada a ver com o INSS ou consignado. Acusações absolutamente verídicas, sem nenhuma prova. Eu lamento profundamente que alguns parlamentares tentem instrumentalizar um debate político no ambiente de investigação sobre fraudes do INSS, tentando trazer para esse ambiente uma acusação absolutamente sem provas, sem fundamento, com o único objetivo de tentar criar um ambiente pré-eleitoral aqui na nossa Comissão", afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), membro da CPMI.
No requerimento, no entanto, Van Hattem afirma que o caso teria sido revelado por um advogado, chamado Eli Cohen, citado em reportagem anterior do site Metrópoles. "É nesse ponto que se inserem os fatos revelados pelo portal Metrópoles em 12 de novembro de 2025, indicando possíveis vínculos entre operadores do esquema e figuras próximas ao Presidente da República", diz o requerimento.
Jorge Messias
A tentativa de convocar Lulinha se soma ao requerimento já protocolado desde a semana passada pelo deputado bolsonarista Evair de Melo (PP-ES). A convocação do AGU faz parte de um acordo entre Viana e o presidente da casa, Davi Alcolumbre para retaliar Lula pela indicação à vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo.
Alcolumbre apoia a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no lugar de Messias. O senador já deixou claro que não quer Messias na Corte e não pretende facilitar o caminho do advogado-geral.
Com a postura, Lula adiou a publicação da indicação no Diário Oficial, forçando Alcolumbre a jogar a sabatina, marcada previamente para 10 de dezembro, para 2026.
"Todo mundo já sabe que esse esquema criminoso começa em 2021, no governo Bolsonaro. E se houve prevaricação ocorreu em 2021 e 2022. O ministro Jorge Messias é o ministro que, junto com o ministro da CGU e a Polícia Federal, coordenou as ações que desbaratou a quadrilha. E mais do que isso, é o responsável pela condução do acordo junto ao SSTF, que já permitiu que quase quatro milhões de aposentados e aposentadas e pensionistas e BPC, que foram roubados durante o governo Bolsonaro, tenham já recebido ressarcimento. O presidente Lula determinou que a gente garanta que todo mundo que foi roubado receba o seu. Esse requerimento do Messias é mais uma tentativa da oposição para tumultuar, para desviar o rumo da investigação, para impedir que a gente possa chegar nos verdadeiros culpados por essa fraude, por esse roubo e, evidentemente, que é um requerimento que vai ser rejeitado porque ele não tem absolutamente nada a ver com o foco da investigação da nossa Comissão", afirmou Pimenta.