("ZÉ RUELA") - Caminhoneiros rejeitam apoio a Bolsonaro: “nunca fez nada pela categoria”
Várias lideranças da categoria fazem duras crítica ao ex-presidente que, segundo eles, “atentou contra a democracia”; veja vídeo
Chorão rejeita apoio a Bolsonaro. Créditos: Reprodução de vídeo
A circulação de chamadas para uma suposta greve nacional de caminhoneiros na próxima quinta-feira (4), em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e em defesa de uma anistia, mobilizou apoiadores do ex-mandatário nas redes sociais. Entre representantes da categoria, porém, a adesão é rejeitada e o movimento é visto como uma tentativa de exploração política.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim — o Chorão — divulgou um vídeo nesta segunda-feira (1º) para desautorizar a paralisação. Ele criticou a convocação e disse que motoristas de carga não devem ser usados para defender lideranças políticas.
“Se alguém quer protestar, que faça isso por conta própria. Agora, transformar o caminhoneiro, que já enfrenta tantas dificuldades, em instrumento para defender político A ou B é algo que eu não apoio”, declarou.
Chorão foi direto. Disse que não vai mover um caminhão sequer pra salvar o presidiário . Ainnn, até o rei do buzinaço largou mão. pic.twitter.com/wL7w23SwDt
— Senhora RIVOTRIL🚩❤️ (@SRivoltril) December 2, 2025
"Atentou contra a democracia"
A mesma avaliação é compartilhada por Carlos Alberto Litti Dahmer, dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL). Para ele, não há qualquer ambiente para um movimento em defesa de Bolsonaro.
“Não faz sentido falar em anistia para quem atentou contra a democracia”, afirmou Litti, que também criticou pedidos de doações por Pix relacionados ao ato. Apesar disso, disse concordar com reivindicações genuínas da categoria, como a retomada do piso mínimo do frete e da aposentadoria especial.
Chorão afirmou ainda que, caso algum bloqueio ocorra, deverá partir de frotas do agronegócio, e não de motoristas autônomos — parcela majoritária dos trabalhadores.
Reação forte nas redes
A convocação repercutiu de maneira amplamente negativa entre caminhoneiros, que passaram a publicar vídeos nas redes sociais para desmentir a greve e rebater os organizadores. Muitos criticaram tanto a motivação política quanto a tentativa de vincular o setor ao ex-presidente.
Entre as manifestações, a do caminhoneiro Silvio Martins ganhou destaque pelo tom duro. Ele chamou o deputado Zé Trovão, apoiador da paralisação, de “Zé Ruela” e rejeitou a ideia de cruzar os braços.
“Parar por quê? Porque Bolsonaro foi preso? Se foi preso, é porque tem motivo. Se está com pena dele, que vá para a cadeia junto”, afirmou. “Ele nunca fez nada pela categoria.”
Com o repúdio de entidades representativas e a reação contrária dos próprios motoristas, a possibilidade de uma paralisação nacional na data anunciada é considerada improvável.