Os bastidores fervem — acordos, alianças, promessas e selfies.
A pergunta é: quem será, de fato, o protagonista do próximo ato?
Ser ou não ser — eis a questão.
E, convenhamos, em política, o roteiro é raramente improvisado.
Enquanto alguns se dizem “surpresos” com o próprio desempenho, outros já ensaiam o discurso da continuidade. Nada de novo sob o sol: a engrenagem familiar segue bem lubrificada.
Se o projeto é individual, coletivo ou “combinado”, pouco importa — o que conta é manter o controle do tabuleiro, nem que para isso seja preciso abrir espaço para esposa, pai, mãe, irmão, tia, papagaio e periquito.
Ecoa o slogan abracadabra: “O trabalho pode chegar para toda Alagoas.”
Mas, afinal, que trabalho é esse?
O marketing é eficiente, os vídeos - inclusive o recente - emocionam, a música empolga — mas a realidade insiste em destoar do roteiro.
A complexidade de governar um Estado vai muito além da instalação de uma roda-gigante em cada cidade ou de uma educação “quase” privatizada. Exige mais do que maquiagem na saúde ou asfaltos que se desfazem na primeira chuva. Governar é compreender realidades, enfrentar desigualdades e entregar soluções que resistam ao tempo — e não apenas aos holofotes.
Ah! E o transporte escolar? Continua sendo um dos capítulos mais comentados — e criticados — da Levada ao Benedito Bentes; do Vergel ao Santos Dumont e, do Trapiche a Riacho Doce. Enfim, por toda Maceió.
O discurso da eficiência e da gestão moderna funciona bem nas redes, mas tropeça quando sai da tela.
Porque, no fim das contas, governar não é sobre curtidas — é sobre consequência.
O tabuleiro eleitoral está montado, as peças se movimentam conforme as pesquisas (quando sérias), os números e os algoritmos.
Mas seria bom lembrar: robô não vota. E duplicidade de aparelho não multiplica voto.
2026 vem aí.
E, com ele, a chance de separar o espetáculo da gestão — e o marketing da realidade.
Por: Jornalista Jerlane Calheiros.
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