"Planejamento inadequado e sem respaldo jurídico". - PF foi chamada para ação mortífera no Rio e não aceitou participar, diz diretor do órgão
PF foi chamada para ação mortífera no Rio e não aceitou participar, diz diretor do órgão
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, revelou que a corporação foi procurada por forças de segurança do Rio de Janeiro para integrar uma megaoperação realizada na capital fluminense que resultou em 121 mortos, nos complexos do Alemão e da Penha, mas que optou por não se envolver após avaliar o planejamento como inadequado e sem respaldo jurídico.
A operação, conduzida principalmente pela Polícia Militar do estado, foi um verdadeiro morticínio e tornou-se a mais sangrento já registrado no estado, servindo agora de bandeira política para o governador bolsonarista Cláudio Castro (PL).
De acordo com Rodrigues, os contatos ocorreram de forma operacional, envolvendo equipes de inteligência da Polícia Militar e a Superintendência da PF no Rio, antes do início da ação. Não foi apresentada uma data específica para a realização da ação.
“Essa é uma operação do estado do Rio de Janeiro. Nós não fomos comunicados que seria deflagrada nesse momento. Houve contato anterior, do pessoal da inteligência da PM com o nosso pessoal no Rio, para ver se haveria alguma possibilidade de atuarmos em algum ponto nesse contexto. A partir da análise do planejamento operacional, a nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse", afirmou Andrei Rodrigues.
Ele enfatizou que não houve comunicação oficial por parte do governo federal sobre o planejamento da operação.
“Houve um contato no nível operacional informando que haveria uma grande operação. Identificamos que nossa equipe do RJ, a partir da análise geral, entendeu que não era o modo que fazemos operação. Não teríamos nenhuma autorização legal para participarmos”, disse ainda o diretor-geral da PF.
As declarações foram feitas um dia após a realização da ação letal. Ainda nesta quarta (29), Rodrigues participou de uma reunião no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O encontro contou com a presença dos ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Rui Costa (Casa Civil), Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos). Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), José Múcio (Defesa), Geraldo Alckmin (vice-presidente) e Marcelo Freixo (presidente da Embratur) também participaram da reunião com o chefe de Estado.
Após a reunião, Lewandowski, Rodrigues, Anielle Franco e Macaé Evaristo seguiram para o Rio de Janeiro, onde têm agendada uma encontro com o governador Cláudio Castro.