GLOBAL - Fox News emula falso PCC do Gugu e faz entrevista com "ex-antifa"
Emissora pró-Trump endossa narrativa para transformar o movimento em organização terrorista
Fox entrevista mascarado apresentado como "delator dos Antifas" Créditos: Reprodução/Fox News
Nessa quinta-feira (2), a Fox News exibiu uma entrevista com “Eric”, um homem mascarado que se apresentou como ex-membro da chamada organização “Antifa”.
A emissora, alinhada à ideologia de Donald Trump, reforça a narrativa de transformar o movimento em um grupo terrorista. Na entrevista, “Eric” afirmou ter sido “recrutado” aos 14 anos, relatando que guardava coquetéis molotov e uma cópia do “Livro de Receitas Anarquista”. Segundo ele, apenas mais tarde passou a adotar ideologias de ação direta, tornando-se um “anarcocomunista e sindicalista completo”.
No entanto, o depoente não mencionou qualquer financiamento, político ou organização estruturada por trás do movimento, descrevendo-se apenas como um jovem anarquista de Seattle que participou de alguns protestos.
Criminalização dos Antifa
Após o assassinato do ativista Charlie Kirk, o governo Trump propôs classificar os antifas como uma organização terrorista. O problema é que Antifa não é um grupo organizado, mas sim uma ideia compartilhada por setores diversos que se opõem ao fascismo.
Nos EUA, movimentos antifascistas incluem desde alas do Partido Democrata até coletivos anarquistas ligados à ação direta. A criminalização abriria margem para repressão contra opositores políticos em geral.
Já ocorreram diversas manifestações antifascistas em cidades norte-americanas, principalmente contra as ações da polícia de imigração (ICE) do governo Trump.
Comparações com a TV brasileira
Nas redes sociais, a entrevista foi comparada ao episódio do programa Domingo Legal, em setembro de 2003. Na ocasião, Gugu Liberato exibiu uma falsa gravação com supostos membros do PCC, que ameaçavam o vice-prefeito Hélio Bicudo e jornalistas como José Luiz Datena, Marcelo Rezende e Oscar Roberto de Godói.
Dias depois, os citados desmentiram a entrevista e o próprio PCC divulgou nota afirmando que os homens mostrados não faziam parte da facção. Uma investigação concluiu que o material foi uma fraude, gravada no estacionamento do SBT.