Alguns comportamentos que você considera inofensivos, até mesmo "normais", às vezes são reflexo de um passado mais doloroso do que você gostaria de admitir. Estresse crônico, relacionamentos difíceis, pressão para ser "perfeito"... em muitos casos, o comportamento automático pode rimar com trauma. Talvez seus velhos demônios estejam ressurgindo sob outra forma, integrando-se perfeitamente à sua vida cotidiana.
Você se sente culpado assim que não faz “nada”
Você precisa estar sempre em movimento ou atrás de uma tarefa. Os outros são rápidos em diagnosticá-lo como "hiperativo". Permitir-se uma pausa preguiçosa no sofá ou tirar uma soneca à tarde? De jeito nenhum, seria um desperdício. Você não suporta ficar em casa, sentado em uma espreguiçadeira ou vendo as moscas zumbirem. Não é uma questão de temperamento, mas sim um eco do seu passado. Um passado em que cada momento de descanso tinha que ser merecido e onde o descanso era considerado preguiça.
Você se sente compelido a explicar… tudo
Você se justifica mesmo quando não precisa. Você sente que precisa justificar tudo o que faz para dar legitimidade e defender seu ponto de vista. Em outras palavras, você costuma ficar na defensiva. Você poderia simplesmente dizer: "Quero sorvete", mas depois repete o irritante "porque sim". Porque malhei o dia todo, porque estou menstruada e preciso de mais calorias. Esse reflexo de explicar demais é típico de pessoas que aprenderam que suas palavras, ou suas escolhas, precisam ser constantemente validadas para terem algum valor.
Você recusa ajuda, mesmo quando ela é sincera.
Assim que alguém lhe estende a mão, você a rejeita imediatamente, dizendo: "Eu consigo me virar sozinho". Quando alguém se oferece para levar sua máquina de lavar para o 4º andar ou colocar sua mala de uma tonelada no compartimento pequeno do avião, você recusa educadamente. Você quase prefere ter uma dor nas costas a aceitar ajuda. Aquela famosa atitude de "Eu me viro, não se preocupe" se tornou uma camada protetora. Não é orgulho descabido, mas sim o sinal de uma infância em que os adultos não eram nem confiáveis nem confiáveis.
Você diz sim quando quer dizer não
Você tem dificuldade em estabelecer limites, mesmo os pequenos, e algumas pessoas não hesitam em abusar deles. Sua cabeça sobe e desce, mas sua mente diz "não". Você diz "sim" para aquela noite de festa quando sonha em relaxar na banheira com pepinos nos olhos. Você diz "sim" para aquela aventura no topo das árvores quando tem medo de altura. Em suma, "não" não é o seu forte. Essa necessidade de ser amado a todo custo, de amenizar tensões, muitas vezes vem do condicionamento precoce de colocar os outros em primeiro lugar. Um mecanismo de sobrevivência que se tornou um hábito.
Você se retrai ao menor conflito
Assim que uma discussão começa, você não intensifica a discussão nem tenta ter razão. Você se refugia em silêncio. Pode até ficar emburrado por horas ou até dias. Você não levanta a voz, mas seu coração dispara. Esse comportamento, mais comumente conhecido como "congelamento", é uma resposta natural ao perigo quando lutar ou fugir não é uma opção. Se você reage dessa forma, não é necessariamente imaturidade. Pode ser que suas necessidades tenham sido suprimidas durante a infância.
Você minimiza seus sucessos
Enquanto a pessoa comum abre uma garrafa de champanhe à menor conquista pessoal ou profissional, você se mantém humilde — talvez até um pouco humilde demais. Elogiado? Você responde: "Ah, não foi nada". Alcançou uma meta? Você passa para a próxima. Você não consegue se celebrar. Sejam as vitórias grandes ou pequenas, você as ignora como se não fossem importantes o suficiente para serem comemoradas. Essa tendência a se esvair no segundo plano do sucesso revela um senso de autoestima enfraquecido. Se você se identifica com esse perfil, provavelmente já viu a ignorância dos seus pais em relação às suas boas notas na escola e às suas conquistas esportivas.
Cada pequena decisão se torna uma montanha
Escolher entre dois vestidos. Se vai comer sobremesa ou não. Se vai aceitar ou não um convite. Cada pequena escolha se torna um dilema difícil. Seja escolher entre um filé de salmão e um croque monsieur em um restaurante ou uma atividade relaxante e uma via ferrata, você nunca sabe qual é o "melhor". Você está constantemente hesitando. Por trás dessa dúvida constante, às vezes há anos de escrutínio ou crítica, que lhe ensinaram que suas escolhas sempre foram as erradas.
Você sempre coloca sua dor em perspectiva.
Você pode torcer o joelho no asfalto ou se cortar com uma faca de açougueiro, mas ainda assim vai assumir a responsabilidade e gemer de boca fechada. O mesmo vale para cólicas agudas na parte inferior do abdômen. Você pode se contorcer de dor, mas, em vez disso, guarda para si. Outros até te chamam de "durão". Mas isso é só fachada.
“Não vou reclamar; outros já passaram por situações muito piores.” Essa afirmação aparentemente humilde é, na verdade, um mecanismo de negação. Sim, sua dor merece ser ouvida, mesmo que não pareça “tão ruim” quanto a dos outros. Minimizar o sofrimento é uma estratégia de enfrentamento, mas também impede a cura.
O que você vivenciou na juventude ou no passado mais recente permeia todos os seus reflexos. Esses "hábitos" que você luta para corrigir são, na verdade, reminiscências de uma dor profunda. São respostas humanas a contextos desumanos, aprendidas no silêncio, no medo ou no excesso de responsabilidade. Reconhecê-los é o primeiro passo para ser gentil consigo mesmo. Traumas nem sempre são conscientes.