A escolha de Marianna Fux para ocupar uma cadeira no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) em 2016 continua sendo um episódio emblemático das relações de poder no Judiciário brasileiro. Filha do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), Marianna chegou ao cargo por meio do chamado quinto constitucional — dispositivo previsto na Constituição que reserva 20% das vagas dos tribunais de segunda instância a advogados e membros do Ministério Público.
A trajetória que levou Marianna Fux ao cargo, no entanto, foi marcada por polêmicas. Na época, ela atuava no escritório de Sérgio Bermudes, um dos mais influentes do Rio de Janeiro e amigo próximo de Luiz Fux. Havia rumores de que sua presença no escritório era apenas simbólica, sustentada pelo peso do sobrenome — versão negada por Bermudes.
Em 2016, uma reportagem da revista Piauí revelou que o ministro Luiz Fux teria feito ligações pessoais com desembargadores para promover a candidatura da filha. Segundo o texto, ele repetia frases como “é tudo o que posso deixar para ela”, transformando a magistratura em um tipo de herança familiar. O então governador Sérgio Cabral também foi informado diretamente da intenção do ministro, e chegou a relatar a Wadih Damous, presidente da OAB na época, que a questão “cairia no colo” da entidade.
Além disso, circulou a versão sensibilizada de que Fux buscava aliados mencionando episódios traumáticos, como um assalto sofrido por sua família em 2003. Encontros com magistrados, empresários e políticos fariam parte da articulação. Uma festa de 60 anos organizada por Bermudes para homenagear Fux, com a filha em destaque e lista de convidados que incluía ministros do STF, desembargadores e políticos, acabou cancelada diante da repercussão negativa.
Nomeação confirmada apesar das contestações
A candidatura de Marianna chegou a ser contestada sob o argumento de que ela não teria concluído os dez anos de prática jurídica exigida pela Constituição. A impugnação, no entanto, foi rejeitada por questões processuais — o pedido teria sido apresentado fora do prazo. Com o caminho livre, Pezão confirmou sua nomeação, tornando Marianna Fux a mais jovem desembargadora do TJRJ.