“Quero que ele tenha todo o direito à presunção de inocência. O que eu não tive, quero que eles tenham. Agora, se esses caras fizeram isso mesmo, devem ser punidos severamente. Não é possível admitir que, em um país generoso como o Brasil, tenha gente da alta graduação militar tramando a morte do presidente da República, de seu vice e de um juiz que presidia a Suprema Corte eleitoral”, disse o petista.
Braga Netto foi indiciado pela PF por participar de uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, plano que incluía as execuções de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, então presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo os policiais, o ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) estaria atrapalhando a livre produção de provas da investigação, razão pela qual foi detido.
A fala de Lula sobre Braga Netto foi dada na mesma entrevista em que o mandatário teve anunciada sua alta hospitalar. Nesta semana, ele foi submetido a dois procedimentos cirúrgicos após sofrer uma hemorragia cerebral na segunda-feira, 9, consequente de um acidente doméstico de outubro.
De acordo com o cardiologista Roberto Kalil Filho, o presidente teve boa recuperação cirúrgica, mas não retorna a Brasília e terá de ficar em São Paulo até quinta-feira, 19, para monitoramento. “É uma alta hospitalar, não uma alta médica. Natural que haja exigência de acompanhamento e algumas restrições, mas nada que impeça as atividades do cargo”, disse.
Entre as restrições mencionadas, o chefe do Executivo deverá ficar afastado de atividades físicas e não poderá fazer viagens internacionais até segunda ordem.
“Confesso a vocês que fiquei assustado com a urgência que me pediram para vir para cá. Ao chegar, nem sei quanto tempo a cirurgia durou. Graças a eles [médicos], a Deus, à [primeira-dama] Janja e aos enfermeiros que cuidaram de mim, estou certo de que estou curado, mas preciso me cuidar”, afirmou Lula, que se declarou apto a reassumir os compromissos da Presidência.