18/03/2024 às 22h21min - Atualizada em 18/03/2024 às 22h21min

Deputado Da Cunha ameaça ex-companheira: "Vou encher sua cara de tiro"

Eleito por São Paulo com mais de 180 mil votos, parlamentar virou réu em outubro do ano passado numa ação contra Betina Grusiecki

Redação Terra / Por: Luiza Lopes
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Deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP Foto: SP), conhecido Delegado da Cunha - Reprodução/Redes sociais / Perfil Brasil
O Fantástico, da TV Globo, exibiu na noite deste domingo (17) um vídeo inédito gravado por Betina Grusiecki, ex-companheira do deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP-SP), conhecido como Delegado Da Cunha. As imagens mostram o parlamentar proferindo insultos e ameaças contra a mulher. À Justiça, Betina disse que o parlamentar bateu a cabeça dela na parede e tentou sufocá-la.

Eleito por São Paulo com mais de 180 mil votos, Da Cunha virou réu em outubro do ano passado numa ação por violência contra Betina. De acordo com o Ministério Público, ele ameaçou e agrediu a ex, além de ter causado danos materiais a ela. A acusação de violência doméstica ainda vai a julgamento.

Os dois se conheceram em 2020, moravam juntos e não têm filhos. Betina relatou à Justiça que durante o relacionamento, que durou três anos, foi vítima de episódios de agressão verbal e física.

Agressões e ameaças
A última agressão ocorreu em Santos, São Paulo, no apartamento em que o casal vivia. Em 13 de outubro do ano passado, uma sexta-feira, eles começaram a discutir. Betina conta que nesse dia foi agredida verbalmente pelo parlamentar.

No sábado, 14 de outubro, era aniversário de Da Cunha. Ele passou o dia fora com os filhos dele. Segundo Betina, o então companheiro voltou para casa alcoolizado. O vídeo exibido neste domingo (17) é justamente essa gravação feita por Betina.

É possível ouvir o parlamentar insultando a então companheira e dizendo que iria matá-la. Em alguns momentos, dá para ver o rosto de Betina, mas a maior da parte do vídeo só tem áudio.

- Da Cunha: "Vai correndo para casa da mamãezinha."

- Betina: "Não. Não vou para casa da mamãe."

[...]

- Da Cunha: "Pode parar. Pode parar, senão vou te matar aqui."

- Betina: "Vai me matar?"

- Da Cunha: "Matar."

- Betina: "Ah, então mata."

Após esse momento, é possível ouvir a respiração ofegante dela.  "[…] Sua va**, vou encher sua cara de tiro", diz o político. Betina grita: "Me solta. Chama a polícia. Chama a polícia! Sai". Ela conta que chamou os filhos do deputado.

Embora tenha negado outros incidentes de violência, o Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Betina apresentava escoriações no couro cabeludo e lesões corporais leves.

Da Cunha, por sua vez, registrou um boletim de ocorrência alegando que ele próprio foi agredido, mencionando um ferimento causado por um secador. O Ministério Público concluiu que ela agiu em legítima defesa.

Após a agressão, Betina foi para a casa do pai. O parlamentar embalou suas roupas danificadas em um saco de lixo e as enviou para a ex-mulher, alegando também ter enviado R$ 5 mil a ela.

A mãe de Betina relatou que o deputado ligava para ela buscando um acordo. A Justiça emitiu medidas protetivas para a ex-mulher e seus pais, além de ordenar que o parlamentar entregasse suas armas.

Da Cunha foi afastado para atividades parlamentares

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o delegado Da Cunha está regularmente afastado para exercer a atividade parlamentar e que ele responde a cinco procedimentos na Corregedoria, ainda sem decisão definitiva.

A defesa do congressista disse ao Fantástico que solicitará análise técnica do material. "Eu vou pedir a submissão desse vídeo a uma perícia. Porque esse vídeo não foi periciado […] Não estou falando que é inverídico, mas não passou pelo crivo do Instituto de Criminalística, não foi submetido a uma perícia oficial", afirmou Eugenio Malavasi.

"Se ele disse isso, foi dentro de um contexto de cólera, dentro de um contexto de briga. Nós somos homens. Quando digo homens, seres humanos. Seres humanos têm discussões de casais. Um fato isolado na vida do deputado não pode estar embrionariamente ligado com exercício do mandato de deputado federal, do deputado delegado da Cunha", completa o advogado do congressista.


* Matéria publicada com supervisão de Ricardo Parra.

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