04/03/2024 às 10h20min - Atualizada em 04/03/2024 às 10h20min

Temperatura deve seguir “acima da média” nos próximos três meses em AL e “tornado” foi algo pontual, explica meteorologista

Por Gabriela Flores e Vanessa Alencar
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Para quem aguardava as “águas de março” para, se não fechar o verão, pelo menos amenizar o calor intenso registrado nos últimos meses em Alagoas, a previsão é que as expectativas serão frustradas. Os modelos meteorológicos seguem indicando valores de temperatura do ar acima da média em todas as regiões no decorrer dos meses de março, abril e maio.

A informação é de Bárbara Alves, meteorologista da Sala de Alerta - Superintendência de Prevenção em Desastres Naturais, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos- SPDEN/Semarh.

Em entrevista exclusiva ao CadaMinuto, a profissional explicou as razões da onda de calor, falou sobre os fenômenos climáticos registrados no estado nos últimos dias e sobre as previsões do tempo para a quadra chuvosa. 

“Nos últimos meses, Alagoas tem enfrentado um aumento de temperatura devido a uma onda de calor. O El Niño é fator que aquece as águas do Oceano Pacífico, que contribui para a formação de uma massa de ar seco e quente, inibindo a formação de nuvens de chuva no Nordeste. As cidades do Agreste, Sertão e do Sertão de São Francisco foram mais afetadas, com temperaturas que atingiram cerca de 38°C, como foi registrado no município de Pão de Açúcar no dia 09 de Fevereiro de 2024. Já nas demais regiões, especialmente no litoral, o oceano Atlântico atua como regulador de temperatura, mantendo a média em torno de 32°C”, detalhou Bárbara.

Segundo ela, apesar desse aumento de temperatura, Alagoas está em uma posição favorável geograficamente, o que significa que sofrerá menos impacto em comparação com outras partes do país.

Chuva, calor e seca

Em relação ao próximo trimestre, a previsão indica maior probabilidade de chuva na categoria abaixo da faixa normal nas regiões ambientais do Sertão e Sertão do São Francisco do Estado de Alagoas. “Nas demais áreas, as chuvas podem ocorrer dentro da faixa normal climatológica Os modelos seguem indicando valores de temperatura do ar acima da média em todas as regiões ambientais de Alagoas no decorrer do referido trimestre”, reforçou a meteorologista.

Ela analisa que os modelos de previsão climática sinalizam para a continuidade do atual evento El Niño, mantendo seu declínio entre o final do outono e início do inverno do Hemisfério Sul (HS): “Do mesmo modo, os modelos persistem a maior probabilidade de ocorrência de temperatura do ar acima dos valores médios históricos na Região Nordeste como um todo. É importante mencionar a situação de algumas áreas no semiárido nordestino, que podem ter a classificação de seca fraca, moderada e grave ampliada no decorrer dos meses subsequentes, como resultado do declínio climatológico das chuvas”. 

Tornado “pontual” e tempestades

Bárbara conversou com a reportagem também sobre as tempestades com ventos fortes observadas em Alagoas e disse que elas não são “incomuns” na região. 

“Essa tempestade de ventos já tinha ocorrido anteriormente, os ventos fortes são fenômenos meteorológicos que, embora não sejam raros, podem variar em intensidade e frequência. Uma tempestade de vento é um distúrbio na atmosfera resultado de uma baixa pressão que causa instabilidade na atmosfera e suscita eventos de baixa e grande intensidade. Que são causados também por conta da mudança da temperatura”. 

Já sobre o “tufão” (ou tornado) registrado em Estrela de Alagoas e o redemoinho na orla da capital, a especialista explicou que, desde a semana passada, estamos sob efeito de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sobre o oceano próximo a região Nordeste, o que contribuiu para a instabilidade atmosférica e favoreceu a formação do tornado e redemoinho em Alagoas. 

“O tornado que atingiu a zona rural de Estrela de Alagoas foi bem pontual e outras regiões são redemoinhos de vento, causados pela diferença de temperatura. Quanto a ocorrências futuras, é importante monitorar as condições climáticas e estar preparado para qualquer eventualidade. Embora tornados não sejam comuns na região, à mudança brusca do tempo podem trazer surpresas. A prevenção e o acompanhamento das autoridades são essenciais para lidar com esses fenômenos”, concluiu Bárbara.


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